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07 de Janeiro de 2015

Máfia das próteses será investigada pela PF e pelo Ministério da Justiça

A máfia foi denunciada pelo Fantástico no último domingo (4). 
Novas denúncias surgiram contra médico envolvido na fraude.

Giovani Grizotti G1

A Polícia Federal, a Receita e o Ministério da Justiça vão investigar a máfia das próteses, denunciada pelo Fantástico no último domingo (4). Depois que a reportagem de Giovani Grizotti foi ao ar, surgiram novas denúncias contra o médico que admitiu falsificar documentos para fazer cirurgias.

O engenheiro André Luis Pacheco Medeiros tem só 33 anos e uma vida cheia de limitações. Ele não pode trabalhar, nem brincar com os filhos. Os problemas começaram há três anos, quando ele sofreu um acidente de moto. “O primeiro médico me pediu que eu fizesse fisioterapia e que evitasse ao máximo fazer a cirurgia. Porém, quando fui consultar com o doutor Sanchis, ele disse que a minha coluna ia continuar se deslocando e que ia comprimir mais ainda minha medula e que eu poderia perder o movimento das pernas”, relata.

O médico citado por André é Fernando Sanchis. Na reportagem do Fantástico, o cirurgião admitiu que assinou orçamentos em nome de outros médicos.

Em uma conversa pelo telefone com a reportagem do Jornal Hoje, o médico Henrique Cruz negou a autorização para a assinatura e disse que deixou a equipe de Fernando Sanchis depois de descobrir a fraude.

Voltando ao caso do André, cinco meses depois da cirurgia, as dores aumentaram e o paciente decidiu ouvir uma terceira opinião. “Quando eu fui pedir a opinião de outro médico, ele me disse em bom português: “você está fora de esquadro”. A coluna de André está fora do eixo e ele vai precisar passar por mais uma cirurgia.

Fernando Sanchis é um dos médicos que faziam parte da máfia denunciada pelo Fantástico.
O esquema também envolvia hospitais e empresas fabricantes de próteses.

A fraude se dava de várias formas: empresas ofereciam até 30% de comissão para médicos usarem suas próteses; em atendimentos pelo SUS, médicos pediam mais "equipamentos" do que o necessário; médicos também se utilizavam de liminares na Justiça, para obrigar planos de saúde a pagar por cirurgias superfaturadas e, muitas vezes, desnecessárias.

O hospital onde Fernando Sanchis trabalha e o Conselho de Medicina do Rio Grande do Sul abriram sindicâncias para investigar o cirurgião. A Polícia Civil já investiga o uso de ações judiciais para bancar cirurgias e os ministros da Saúde e da Justiça pediram, em Brasília, que a Polícia e a Receita Federal investiguem o esquema.

“O Governo Federal está declarando guerra a esta máfia que tira dinheiro dos cofres públicos, tira saúde das pessoas e lesa o bolso dos brasileiros”, garante José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça.

O que os envolvidos no esquema mais temem não são apenas as investigações, e sim a exposição pública. É o que mostra a reação de um vendedor da empresa Orcimed quando a equipe do Fantástico se apresenta. Eles saem correndo e fogem.

A empresa Orcimed afirmou que cobrar comissões se tornou normal no mercado, que sofre boicote de médicos por não aceitar a prática do superfaturamento e que, por isso, deixou de fornecer material para diversas cirurgias.

Já o médico Fernando Sanchis disse que, por enquanto, prefere não se manifestar. O Ministério da Justiça afirmou que o telefone 136 atende denúncias de irregularidades como as mostradas na reportagem.

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